Ativista

Nota

Este post foi inspirado em “Reflexões de um ativista - Parte 01 de Sergio Durigana Junior (cópia nesse servidor).

Na semana passada tinha escrito sobre o Software Freedom Day que o LibrePlanet São Paulo organizou. O Sergio escreveu algumas reflexões e gostaria de fazer algumas partindo das que ele fez.

Concordo com o Sergio quando ele diz “fazer a sociedade se interessar (ou ao menos ouvir, se bem que os dois conceitos são intrinsecamente ligados) por assuntos que são de suma importância para a manutenção (ou, no caso, a restauração) de um Estado que a respeite é difícil” devido aos diferentes interesses e prioridades dos membros da sociedade e do TABU que é falar sobre esse tema.

Sobre a ignorância que foi ilustrada com o exemplo do Facebook:

“Tomemos o exemplo do Facebook. Alguém que tenha uma conta lá (i.e., “quase todo mundo”) prefere se manter na ignorância sobre os termos de serviço e privacidade que o site possui. (...) estou falando sobre os textos disponíveis no site do Facebook e que explicam (talvez não de maneira muito clara, mas isso já é outro problema) o que o site faz e não faz a respeito dos seus dados.”

Acredito que 70% do motivo da ignorância seja os termos de serviços e privacidades não possuírem uma versão legível por humanos. Por versão legível por humanos digo um texto que possamos ler em até um minuto e passe os pontos gerais da licença como é o caso das licenças Creative Commons e da General Public License (GPL), sendo que a GPL pode ser explicada pelas 4 liberdades essenciais:

  • The freedom to run the program, for any purpose.
  • The freedom to study how the program works, and change it so it does your computing as you wish. Access to the source code is a precondition for this.
  • The freedom to redistribute copies so you can help your neighbor.
  • The freedom to distribute copies of your modified versions to others.

(Retirado de What is free software?)

A versão completa/legal dos termos de serviços e privacidades são importantes para retirar ambiguidades mas irrelevantes, em grande parte, para o público geral.

Os outros 30% deve-se ao fato de, para essa pessoas, compartilhar ser mais importante que a privacidade. (Nesse ponto me inspiro no comentário de Joshua_Tree nesse post no qual ele diz que expressar-se é mais importante que a possibilidade de ser processado por violar direitos autorais.)

Gostei muito da reflexão de “privacidade é um ‘bem’ coletivo” e concordo com você:

“A privacidade é sim um direito do indivíduo, mas quando você opta por não tê-la, você está fazendo essa opção em nome de todas as pessoas que se comunicam com você. Afinal, se você não se importa se alguém está lendo suas mensagens, então qualquer tipo de comunicação que chega até você pode e vai ser lida. E se essa comunicação partir de alguém que preza pela própria privacidade, não vai fazer diferença alguma: a mensagem será lida de qualquer jeito, porque você escolheu isso.”

E em reposta as pessoas que “dizem que não são tão importantes a ponto de despertarem interesse em algum governo para que ele queira espioná-las e portanto não preciso me preocupar” você sempre pode informar que, por exemplo, ao não criptografar os emails enviados o trabalho de espiões está sendo facilitado pois os emails que estes precisam investigar diminui. (E pensarmos que há 25 anos trás ainda viviamos em uma ditadura aqui no Brasil.)